quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Nós.

Olha só, nós nos perdemos. Foi só um erro de cálculo, você apareceu do outro lado da rua. Uma rua que ninguém pode atravessar. Que estranho, me pergunto se a vida poderia ter sido diferente se você tivesse aqui. Nossa história não aconteceu na hora errada — ela não aconteceu. Não houve história e muito menos nossa história. O céu mudou de cor. Era só saudade, não era? Coisa que passa. Porque o céu tornou-se cinza? Meu coração tornou-se branco como a neve. 
E, por ironia, frio como a neve também. As pessoas normalmente dizem que isso passa. Talvez passe, depois de inúmeros dias, meses… Talvez passe. Mas de certa forma eu sentirei saudade. Sem ter porque chorar ou sofrer. Eu não consigo me imaginar feliz, acho que isso é um problema. Eu tenho medo de encontrar outro alguém.Tenho mesmo, medo demais. Como se eu não tivesse a capacidade de fazer outro alguém me amar. Outro além de você, outro como você. Alguém que me ame como você amou, fingiu amar.
 Eu acreditei, tudo bem? E pra mim foi amor. Do outro lado da estrada, te vejo em outros braços. Você já percebeu que meus olhos chamam os teus? Você tenta evitar, me fala coisas horríveis, grita que ama todo mundo, menos eu. Grita até que me odeia. Mas não para de olhar. Tenho vontade de atravessar a rua, e chegar bem perto a ponto de sentir a tua respiração. O que você faria? Me mataria? Seria bom. Mas eu não posso atravessar. Ninguém pode. Essa rua tem movimento demais, ninguém consegue passar. Na esquina dela eu vejo uma placa, “Rua do Ódio”. Olha, mais uma ironia, a gente se encontrou separado pela rua que sempre dissemos que evitaria. A avenida do amor está longe daqui.
 A gente caminhou demais para chegar a esse ponto. A gente se cansou e desistiu de caminhar mais um pouco para a rua da amizade. Ultrapassamos tantos obstáculos e paramos em uma pedrinha que tinha no caminho. Você me ensinou a lutar atrás do que eu queria e de repente desistiu. Mas quer saber? Eu também desisti. Eu vou continuar aqui, te olhando de longe. Vendo meus olhos chamando os teus e a tua incrível infantilidade de gritar que está feliz. E vou rir. 
Você mente para si mesmo. Vou ficar parada até você tomar coragem de atravessar. Com todo esse movimento turvo nessa rua escura e horripilante, você será o primeiro a passar. Assim como você venceu tantos obstáculos antes. E você irá ultrapassar por mim. Porque eu sei, algo teu ainda é meu. Você ainda é meu. E eu, ah, eu sou tua, por completo.

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